Como funciona a ordem de despejo? Confira prazos e o que fazer

2026-01-19

7 MIN. DE LEITURA

Receber uma notificação sobre uma ordem de despejo para desocupar o imóvel onde você mora ou trabalha é, sem dúvida, um momento de grande ansiedade e incerteza. A mente dispara com perguntas e o futuro parece nebuloso, mas entender como o processo funciona é o primeiro passo para saber como se proteger legalmente.

Você sabia que, em muitas situações, o inquilino tem prazos e direitos que podem garantir mais tempo ou até mesmo reverter o cenário? Este não é um processo que acontece da noite para o dia, e conhecer as etapas pode fazer toda a diferença.

Continue a leitura para descomplicar esse assunto e entender exatamente o que fazer caso se encontre nessa posição.

O que é uma ordem de despejo?

Muitas pessoas confundem uma simples carta de cobrança ou um aviso do proprietário com uma ordem de despejo. É muito importante esclarecer: a ordem de despejo é um documento oficial, uma decisão emitida por um juiz.

Pense nela como a fase final de um processo judicial chamado “Ação de despejo”. Ela não é o começo da conversa, mas sim a consequência legal de uma disputa que não foi resolvida amigavelmente.

Um bilhete do locador pedindo a saída do imóvel não tem força de lei para obrigar você a sair. Apenas a determinação judicial pode, de fato, determinar a desocupação do local.

Quando uma ordem de despejo é emitida?

Uma ordem de despejo não surge do nada. Ela é o resultado de um processo judicial movido pelo proprietário do imóvel contra o inquilino. Essa ordem é emitida pelo juiz quando ele concorda com os motivos apresentados pelo locador.

Geralmente, isso acontece ao final do processo, após todas as partes terem tido a chance de apresentar suas versões e provas.

Em situações específicas, como a falta de pagamento de aluguel (sem que o contrato tenha uma garantia), o juiz pode conceder uma “liminar”. Essa é uma decisão provisória e rápida que pode determinar a desocupação em 15 dias, antes mesmo da conclusão do processo.

Quais os motivos legais para uma ordem de despejo?

A lei que rege as relações de aluguel no Brasil (Lei do Inquilinato, nº 8.245/91) é bem clara sobre as razões que podem levar a uma ação de despejo. Não basta o proprietário simplesmente “querer o imóvel de volta” a qualquer momento.

Os motivos mais comuns que podem fundamentar uma ordem de despejo são:

  • Falta de pagamento: este é o motivo mais frequente. O atraso do aluguel ou de encargos como condomínio e IPTU quebra o contrato.
  • Fim do prazo do contrato: se o contrato de locação por tempo determinado acaba e o inquilino se recusa a sair, o proprietário pode solicitar o despejo.
  • Descumprimento de cláusulas contratuais: realizar uma obra não autorizada, sublocar o local sem permissão ou usar um imóvel residencial para fins comerciais são exemplos.
  • Necessidade de uso próprio: em determinadas situações, o proprietário pode pedir o imóvel de volta para sua própria moradia ou de seus familiares diretos, desde que não possuam outra residência na mesma cidade.
  • Morte do inquilino: caso o inquilino faleça e não deixe um sucessor legítimo (como cônjuge ou herdeiros que já moravam no imóvel) para continuar a locação.

Como funciona o processo de despejo?

Entender as etapas do processo ajuda a diminuir a ansiedade e a se preparar. Embora cada caso tenha suas particularidades, o caminho geralmente segue uma ordem lógica.

Antes de ir à Justiça, é comum que o proprietário envie uma notificação formal ao inquilino, informando o problema e dando um prazo para a regularização.

  • Ação de despejo

Se o problema não for resolvido, o proprietário, por meio de um advogado, entra com a ação judicial.

  • Citação do inquilino

O locatário é oficialmente comunicado pela Justiça sobre o processo. A partir daqui, começam a contar os prazos para defesa.

  • Apresentação de defesa

A parte notificada tem o direito de se defender, também com o auxílio de um advogado. É aqui que ele pode apresentar seus argumentos ou contestar as alegações.

  • Decisão judicial

Após analisar os argumentos, o juiz toma uma decisão. Se for favorável ao proprietário, ele expede a ordem de despejo, definindo um prazo para a desocupação voluntária (de 15 a 30 dias).

  • Desocupação voluntária

O morador cumpre a decisão e desocupa o imóvel dentro do prazo.

  • Despejo forçado

Se o ocupante se recusar a sair, o proprietário pode solicitar o cumprimento forçado da ordem, com o auxílio de um oficial de justiça.

O que fazer se você estiver sendo despejado?

Recebeu a citação judicial? O primeiro passo é manter a calma. O desespero pode levar a decisões ruins. Organize todos os documentos relacionados ao aluguel: contrato, recibos, e-mails e outras comunicações.

Depois, o passo mais importante é procurar orientação jurídica o mais rápido possível. Um advogado poderá analisar seu caso e mostrar os melhores caminhos a seguir para lidar com a situação de despejo.

Possíveis defesas e recursos legais

Dependendo da situação, existem diversas formas de se defender em uma ação de despejo. Um advogado poderá avaliar se alguma delas se aplica ao seu caso. As mais comuns são:

  • Purgar a mora: este termo significa pagar a dívida. Em casos de despejo por falta de pagamento, o inquilino pode depositar em juízo o valor total do débito para evitar a desocupação.
  • Apontar irregularidades: a defesa pode se basear em falhas no processo.
  • Contestar o motivo: provar que a alegação do proprietário é infundada, apresentando comprovantes de que os pagamentos estão em dia, por exemplo.

Como negociar uma saída amigável?

Nem todo processo de despejo precisa terminar em um confronto. Uma negociação amigável pode poupar tempo, dinheiro e desgaste emocional para ambos os lados.

Uma boa estratégia é, com a ajuda de um advogado, procurar o proprietário para propor um acordo. Algumas possibilidades são:

  • Plano de pagamento: propor parcelar a dívida existente.
  • Prazo maior para a saída: solicitar um prazo estendido para encontrar um novo lugar, oferecendo em troca a desocupação garantida.
  • Uso da caução: acordar o uso do depósito caução para abater parte da dívida.

Para o proprietário, um acordo pode ser vantajoso. Para o inquilino, é a chance de sair da situação de forma mais organizada.

Quais as consequências legais de não cumprir uma ordem de despejo?

Ignorar uma ordem judicial é uma péssima ideia e traz consequências sérias. A decisão de um juiz tem força de lei e deve ser cumprida.

A principal consequência de não sair do imóvel no prazo é a execução do despejo forçado. Essa é uma situação desgastante, na qual um oficial de justiça comparece ao local para garantir que a desocupação aconteça.

Possíveis sanções e multas

Além do despejo forçado, o inquilino que descumpre a ordem judicial fica responsável por arcar com todos os custos do processo, como os honorários do advogado do proprietário.

No fim, o que era um problema de aluguel pode se transformar em uma dívida muito maior.

O papel do advogado no processo de despejo

Seja você inquilino ou locador, a presença de um advogado especialista é um fator de proteção. Tentar navegar por um processo de despejo sozinho é um risco enorme.

  • Para o inquilino: o advogado irá garantir que seus direitos sejam respeitados, analisará a validade do processo, apresentará a melhor defesa e poderá mediar uma negociação.
  • Para o locador: o profissional garantirá que todos os passos legais sejam seguidos corretamente, evitando que o processo seja anulado por falhas, e agilizará o procedimento para reaver o imóvel.

Entender o processo da ordem de despejo é o caminho para se proteger e tomar as decisões certas. A informação correta, aliada ao suporte jurídico, transforma o medo e a incerteza em ação estratégica, permitindo que você navegue por essa situação complexa da maneira mais segura possível.

Conheça nossas áreas de atuação e saiba como podemos ajudar! 

Resumindo

Quem entrega a ordem de despejo?

A ordem de despejo é um documento judicial e só pode ser entregue por um Oficial de Justiça. Ele é o profissional autorizado pela Justiça para ir até o imóvel e comunicar oficialmente o morador sobre a decisão judicial e o prazo para sair.

Como faço para pedir uma ordem de despejo?

Você não solicita a ordem de despejo diretamente. O locador precisa contratar um advogado para entrar com um processo chamado “Ação de despejo”. Se o juiz aceitar os motivos, ele emitirá a ordem de despejo como resultado dessa ação.

Créditos da imagem: Freepik

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