Regulamento interno do condomínio: o que é, para que serve, regras e o que precisa ter em um regimento interno

2026-01-28

14 MIN. DE LEITURA

As regras de convivência em condomínios são essenciais para a organização, a segurança jurídica e a qualidade de vida dos moradores. Nesse contexto, o regimeno interno do condomínio é o principal instrumento para disciplinar as relações e prevenir conflitos decorrentes do uso das áreas comuns.

Quando elaborado de forma adequada e em conformidade com a legislação, o regulamento interno contribui para a gestão eficiente do condomínio e para a redução de litígios.

Neste artigo, serão abordados seus principais aspectos jurídicos e práticos, como finalidade, limites legais e procedimentos de atualização.

Afinal, o que é um regimento interno?

Regimento interno é um documento que define regras práticas de convivência e funcionamento de um grupo, espaço ou instituição. Ele organiza o dia a dia, deixando claro o que pode, o que não pode e como as situações devem ser conduzidas.

É aplicado em condomínios, para regular silêncio, uso de áreas comuns, garagem e convivência entre moradores; em empresas, para orientar condutas, horários e uso de recursos; em escolas, para definir regras de convivência e rotinas; e em associações ou clubes, para disciplinar o uso dos espaços e a participação dos membros.

O que é o regulamento interno do condomínio?

O regulamento interno do condomínio é o documento que define as normas de convivência aplicáveis ao cotidiano do empreendimento. A finalidade dessa regulamentação é diminuir os conflitos do dia a dia e assegurar o bem-estar de todos.

Funciona como um manual de conduta, estabelecendo regras para o uso das áreas comuns, a interação entre moradores, visitantes e funcionários, e os padrões mínimos de comportamento.

O regimento interno, junto com a convenção do condomínio e o Código Civil, ajuda a estabelecer as regras condominiais. Apesar de ser um complemento da convenção, é o documento mais consultado e aplicado no cotidiano do prédio.

Para que serve o regimento interno do condomínio?

A finalidade do regimento interno do condomínio é reduzir conflitos recorrentes e assegurar o bem-estar coletivo. Em conjunto com a convenção do condomínio e o Código Civil, o regulamento interno integra o conjunto de regras condominiais. 

Embora complemente a convenção, é, na prática, o documento mais consultado e aplicado na rotina do condomínio.

Quais as diferenças entre regimento interno do condomínio e regulamento interno do condomínio?

Na prática condominial, os termos regimento interno e regulamento interno do condomínio são usados como sinônimos, referindo-se ao mesmo documento que disciplina as regras de convivência.

A diferença está principalmente no uso do termo, e não no conteúdo:

  • Regimento interno do condomínio é a expressão mais comum na linguagem jurídica, em decisões judiciais e na doutrina;
  • Regulamento interno do condomínio é a forma mais utilizada pelo público em geral e em pesquisas na internet, sendo mais frequente nas buscas do Google.

Do ponto de vista legal, não há distinção de validade entre as expressões. O que importa é que o documento respeite a legislação vigente, a convenção do condomínio e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

Por isso, ambos os termos podem ser utilizados, desde que haja clareza de que se trata do mesmo conjunto de normas condominiais.

Qual é a diferença entre a convenção e o regulamento interno?

O regulamento interno é um complemento da convenção do condomínio. Enquanto a convenção possui caráter mais amplo e estrutural — tratando de questões administrativas, financeiras e institucionais — o regulamento interno se volta às regras práticas de convivência.

É importante destacar que o regimento não pode contrariar a convenção nem leis hierarquicamente superiores, como o Código Civil e a Constituição Federal.

O que vale mais: regulamento interno do condomínio, convenção ou Código Civil?

Existe uma hierarquia entre as normas condominiais. Em primeiro lugar está o Código Civil e a legislação vigente. Em seguida, vem a convenção do condomínio e, por último, o regulamento interno.

Isso significa que o regulamento interno nunca pode restringir direitos garantidos em lei ou contrariar a convenção. Caso isso ocorra, a regra pode ser considerada abusiva e anulada.

Qual é a importância do regulamento interno do condomínio?

Embora não seja obrigatório por lei, o regulamento interno é essencial para o bom funcionamento do condomínio. A ausência de normas claras tende a aumentar conflitos relacionados à barulho, reformas, uso inadequado de áreas comuns e convivência com animais.

Um regulamento bem estruturado oferece segurança jurídica, padroniza procedimentos e contribui para um ambiente mais organizado e previsível para todos.

O que não pode faltar em um regulamento interno do condomínio?

Um bom regulamento interno do condomínio deve contemplar os principais aspectos da convivência, garantindo organização, segurança jurídica e respeito às regras coletivas. Entre os temas centrais, estão:

  • uso das áreas comuns;
  • limites de ruído e horários de silêncio;
  • normas sobre obras, reformas e mudanças;
  • critérios para advertências e multas;
  • direitos e deveres de moradores, visitantes e funcionários;
  • procedimentos para atualização do documento.

Esses tópicos formam a base do regimento interno, servindo como referência para detalhar regras específicas e promover uma convivência harmoniosa entre todos os condôminos.

Quais assuntos são abordados no regulamento interno do condomínio?

Uso correto das áreas e acomodações

O regulamento estabelece regras para utilização das áreas comuns — como salão de festas, piscina, playground e garagem — além de disciplinar o uso de bens coletivos não detalhados na convenção.

Definição de horários de silêncio

Definir horários de silêncio é essencial para assegurar o descanso de todos os moradores. Após determinado horário da noite, devem ser evitados:

  • Sons em alto volume, incluindo TV e aparelhos de som;
  • Festas em apartamentos;
  • Movimentação excessiva, como reformas ou consertos;
  • Latidos de cães ou outros ruídos de animais domésticos.

Festas e encontros devem, preferencialmente, ocorrer em salões de festas ou em horários que não comprometam o descanso dos moradores. 

O direito ao sossego não tem hora marcada: barulhos excessivos podem ser punidos a qualquer momento, conforme o Art. 1.277 do Código Civil. O horário das 22h serve apenas como referência para aplicação mais rigorosa das normas.

Conservação das estruturas do condomínio

Os condôminos têm o dever de zelar pelas áreas comuns e pelas instalações do condomínio, incluindo piscinas, salões de festas, equipamentos, garagens, instalações elétricas e hidrossanitárias, bem como paredes e demais estruturas.

Para garantir a manutenção adequada, o regulamento interno pode prever penalidades, como multas, mas a ênfase deve ser na conscientização coletiva, evitando prejuízos que possam recair sobre todos os moradores. Esse cuidado estimula a autofiscalização, com moradores auxiliando na preservação das estruturas do condomínio.

Regras para vagas de estacionamento

O uso da garagem é uma das maiores fontes de conflitos. O regulamento pode definir:

  • distribuição das vagas;
  • regras de utilização;
  • limites para veículos de grande porte;
  • proibição de uso das vagas para armazenamento de objetos, como bicicletas ou materiais de construção.

Normas claras sobre estacionamento contribuem para a organização do espaço e a harmonia entre moradores.

Convivência com animais

A presença de animais de estimação deve ser regulamentada para equilibrar o direito de propriedade com o bem-estar coletivo. O regulamento pode prever:

  • áreas de circulação permitidas;
  • cuidados de higiene;
  • prevenção de riscos ou incômodos a outros moradores.

Esse equilíbrio ajuda a evitar conflitos e mal-entendidos entre condôminos.

Advertências e multas

O documento deve prever um sistema claro e proporcional de penalidades, indicando quando cabem advertências e quando as multas podem ser aplicadas, sempre com critérios objetivos:

  • advertências para infrações leves;
  • multas para reincidências ou descumprimentos graves.

O objetivo é garantir o cumprimento das normas de forma justa e transparente, detalhando quais infrações podem ser penalizadas e seus respectivos valores ou consequências.

Proibições específicas

O regimento também define comportamentos proibidos que possam comprometer a organização ou a estética do condomínio, como:

  • instalar antenas de TV de forma independente;
  • estender roupas ou toalhas em locais visíveis;
  • fixar letreiros e faixas em fachadas;
  • solicitar serviços particulares aos funcionários durante o expediente.

Essas diretrizes preservam a funcionalidade e o padrão visual do condomínio.

Regras personalizadas para cada condomínio

É importante destacar que o regulamento interno não se restringe a diretrizes gerais, podendo incluir regras personalizadas conforme as particularidades de cada condomínio.

Seja para disciplinar o uso de academia, piscina ou salão de festas exclusivos, ou para organizar atividades em áreas compartilhadas, ele funciona como um contrato coletivo, oferecendo segurança e clareza a todos os moradores.

Essa personalização torna o regulamento interno do condomínio essencial para uma convivência ordenada e harmoniosa.

Vale a pena usar um modelo de regimento interno de condomínio pronto?

Quem procura um modelo de regimento interno de condomínio costuma buscar um documento pronto. No entanto, o regimento interno não deve ser copiado de forma genérica, pois cada condomínio possui regras, estrutura e necessidades próprias.

O uso de modelos de regulamento interno serve apenas como referência inicial, para compreender a organização do documento e os temas que precisam ser abordados. 

A elaboração do regimento exige análise da convenção condominial, da legislação aplicável e da realidade dos moradores, para que as regras sejam claras, aplicáveis e juridicamente válidas.

Nesse processo, a assistência de especialistas faz diferença. Profissionais com conhecimento jurídico e experiência em Direito Condominial ajudam a evitar cláusulas inválidas, conflitos com a convenção e interpretações ambíguas, além de orientar sobre a aprovação correta do regimento em assembleia.

Quais regras são consideradas abusivas no regulamento interno?

O regulamento interno não pode entrar em conflito nem com a convenção, nem com a legislaçãoConstituição Federal, Lei nº 4.591/1964 (Lei de Condomínios), Código Civil e outras leis

Além disso, o regimento interno não precisa ter registro em cartório, a não ser que integre a convenção de condomínio. Para integrar a convenção, 2/3 dos moradores devem assinar, aprovando.

O regimento interno também não pode interferir em normas que criem conflitos com o direito garantido por outras leis aos condôminos, principalmente em relação à propriedade. 

Entre as regras consideradas abusivas no regulamento interno do condomínio, destacam-se:

  • proibição de visitas;
  • limitação do número de moradores por unidade;
  • proibição genérica de animais domésticos;
  • exposição pública de moradores inadimplentes;
  • multas desproporcionais ou sem direito de defesa.

Também são regras abusivas que podem estar no regulamento interno do condomínio:

Multas impróprias

É fundamental saber quando e como aplicar multas no condomínio. Mesmo em casos de infrações leves, como desrespeito à lei do silêncio, a aplicação imediata da penalidade não é recomendável.

O mais adequado é adotar um escalonamento de condutas:

  1. Buscar diálogo amigável com o condômino para que ajuste seu comportamento.
  2. Caso a conduta persista, enviar uma advertência formal.
  3. Somente se, após a advertência, a infração continuar, aplicar a multa.

Em situações mais graves — por exemplo, quando um morador causa dano ao bem de outro condômino —, a aplicação direta da multa pode ser justificada.

Multas exorbitantes

Multas com valores excessivos também violam os direitos dos condôminos. Embora a legislação não estabeleça valores fixos, isso não autoriza penalidades desproporcionais.

Nem o administrador, nem a assembleia podem estipular multas incompatíveis com a realidade do condomínio. Uma prática recomendada é usar o valor da taxa condominial como referência, sem incluir despesas extraordinárias ou rateios eventuais.

O Código Civil também serve como parâmetro:

  • Artigo 1.336: proíbe obras que comprometam a segurança do edifício ou alterem a fachada. O descumprimento autoriza multa prevista na convenção, limitada a até cinco vezes o valor da contribuição mensal, salvo deliberação diversa da assembleia; 
  • Artigo 1.337: permite multa de até dez vezes o valor da cota condominial em situações mais graves.

Restrição ao direito de defesa do condômino

Sempre que houver aplicação de multa, é recomendável assegurar ao condômino o direito de se manifestar.

Se o regulamento definir prazos excessivamente curtos para apresentação de justificativas, há restrição indevida ao direito de defesa. O prazo deve ser razoável e compatível com o exercício pleno desse direito.

Exposição do morador

O condômino não deve ser exposto indevidamente, principalmente em casos de inadimplência. A cobrança deve ocorrer de forma privada, e nos relatórios financeiros, recomenda-se identificar apenas a unidade, sem mencionar o nome do morador.

Se o regulamento prever divulgação pública do nome do inadimplente, a regra deve ser considerada abusiva.

O que fazer diante de regras abusivas no regulamento interno?

Ao identificar uma norma abusiva, o primeiro passo é convocar assembleia para discutir a correção do documento. Caso não haja solução, é possível buscar o Judiciário para anular a regra ou a penalidade aplicada.

O Regimento Interno de Condomínio não pode ser contrário à nenhuma lei. Para propor uma norma nova, convém consultar o Código Civil e a Lei de Condomínios. Por isso, é bom contar com assessoria jurídica, com o apoio de profissionais especializados em Direito Condominial, para efetuar essas mudanças.

Se, ainda assim, o problema não for solucionado, existem medidas judiciais possíveis. Por exemplo, se um morador receber multa exorbitante, conversar com o administrador e/ou em assembleia e nada conseguir, ele pode recorrer à Justiça.

Como elaborar o regulamento interno do condomínio?

A elaboração do regulamento deve ser participativa e transparente

Vale ressaltar que não existe um único modelo de regimento interno de condomínio, mas algumas boas práticas ajudam a construir um documento adequado à realidade condominial:

1. Definição dos temas que estarão no regulamento interno

O primeiro passo é criar uma lista dos assuntos que devem ser abordados no regimento do condomínio, para que todos os pontos importantes sejam contemplados durante a reunião. 

Alguns tópicos essenciais incluem o uso de áreas comuns, regras para mudanças e reformas, horários de silêncio e as penalidades para descumprimento.

2. Convocação da assembleia no condomínio

É indispensável realizar uma assembleia para discutir a criação do documento e votar as normas. O síndico deve fazer a convocação com antecedência, informando a pauta para que os participantes saibam quais temas serão tratados. 

Os registros da convocação, a lista de presença e a ata da reunião devem ser guardados.

3. Discussão com todos os moradores

Durante a assembleia, todos os temas devem ser amplamente debatidos. É importante coletar ideias e esclarecer as dúvidas dos moradores para que as regras criadas atendam às necessidades de todos e não causem impactos negativos na rotina. 

A participação ativa torna o regimento mais assertivo e aumenta o engajamento.

4. Votação para definição das normas

As votações devem seguir os termos da convenção. Para a aprovação do regimento, é necessária a maioria simples, ou seja, metade dos moradores presentes mais um voto. 

O documento deve ser desenvolvido com clareza, utilizando uma linguagem acessível para que todos entendam suas responsabilidades e direitos.

5. Redação conforme a lei

Após a aprovação, o regimento precisa ser redigido considerando todas as formalidades legais. A consulta a um advogado especializado pode dar o suporte necessário para garantir que o documento atenda a todos os requisitos e não entre em conflito com outras leis. 

O documento aprovado deve ser registrado na ata da assembleia e uma cópia deve ser distribuída a todos os condôminos.

Como alterar ou atualizar o regulamento interno do condomínio?

A alteração ou atualização do regulamento interno do condomínio exige a convocação de nova assembleia, com pauta específica para discutir as mudanças propostas. As alterações devem ser aprovadas conforme o quórum previsto na convenção do condomínio e, após a deliberação, registradas formalmente em ata.

Alterar o regimento interno é essencial para manter as normas atualizadas conforme as mudanças no condomínio, nos hábitos dos moradores ou na legislação. Novas tecnologias, reformas e a mudança do perfil dos moradores podem tornar algumas regras obsoletas.

Concluído esse processo, é fundamental que o regulamento atualizado seja divulgado a todos os moradores, garantindo ciência das novas regras e evitando conflitos futuros.

Por que contar com apoio jurídico no condomínio?

Existem normas que são consideradas abusivas e podem ser anuladas, especialmente quando entram em conflito com outras leis de maior hierarquia, limitando direitos previstos na legislação. Logo, é importante não incluí-las no documento, como:

  • limitação a respeito de visitas aos condôminos;
  • proibição de ter animais domésticos;
  • impedir o direito de defesa com prazos curtos e outras práticas;
  • adotar medidas que exponham o morador, como divulgar listas com o nome de morador devedor;
  • prever multas abusivas em caso de descumprimento, com valores exorbitantes;
  • aplicação de penalidades sem observar a razoabilidade e proporcionalidade.

O suporte jurídico especializado em Direito Imobiliário e Condominial ajuda a evitar cláusulas abusivas, garante conformidade legal e reduz riscos de anulação do regulamento. Além disso, assegura que o documento ofereça equilíbrio entre direitos individuais e o interesse coletivo.

Se você tem dúvidas ou precisa de auxílio para elaborar ou revisar o regulamento interno, buscar orientação jurídica qualificada é o caminho mais seguro.

O DD Advogados atua com assessoria especializada em Direito Imobiliário, auxiliando síndicos, administradoras e condomínios na elaboração, revisão e adequação do regulamento interno à legislação vigente.

Entre em contato e conte com orientação jurídica qualificada para proteger o seu condomínio.

Resumindo

O regulamento interno do condomínio é obrigatório?

Não, o regulamento interno não é obrigatório, mas é fundamental para o bom funcionamento do condomínio, pois define as regras de convivência e contribui para evitar conflitos entre os moradores.

Quem cria o regulamento interno do condomínio?

O regulamento interno é elaborado pelos próprios moradores em assembleia, sendo aprovado pela maioria simples dos presentes. É recomendável contar com o apoio de um advogado para assegurar que o documento esteja em conformidade com a lei e não contenha regras abusivas.

Como ter acesso ao Regimento Interno do condomínio?

O regimento interno deve estar disponível para todos os condôminos. Geralmente, pode ser consultado na administração do condomínio, com o síndico, ou por meio de documentos digitais compartilhados aos moradores, garantindo ciência e cumprimento das regras.

Créditos da imagm: Freepik

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